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Portfolio

Lima Zibanu

Série:  “Das folhas”

 

 

Série: “Incômodos”

Série: “Ligações perdidas”

 

Lima Zibanu desenvolve uma prática fotográfica fundada menos no impacto imediato da imagem e mais na persistência do olhar. O tempo, em sua obra, não é apenas um dado cronológico, mas uma ferramenta crítica: voltar reiteradamente aos mesmos temas não produz repetição, e sim depuração. Cada retorno afina a percepção, reduz o ruído do gesto rápido e desloca a fotografia de um regime de captura para um regime de escuta.

As séries que emergem desse processo não se organizam como narrativas fechadas. Elas funcionam antes como campos de aproximação, onde o cotidiano deixa de ser registro exterior e passa a operar como disparador de uma investigação interna, psicológica e silenciosa. O que está em jogo não é o acontecimento, mas a sua reverberação. A imagem não se impõe; ela permanece, criando um espaço de suspensão em que o espectador é convidado a desacelerar.

Um aspecto central da obra de Zibanu é o uso do contraste e do deslocamento formal como estratégias de pensamento visual. A forma raramente aparece estabilizada ou confortável. Há sempre um leve desvio, um desequilíbrio calculado que impede a leitura imediata. Esse deslocamento não busca estranhamento gratuito, mas a revelação de camadas latentes, onde matéria, superfície e luz se transformam em portadores de memória. Objetos e corpos, vivos ou inanimados, são tratados como territórios sensíveis, carregados de silêncio e de experiências acumuladas.

A fotografia, nesse contexto, deixa de ser um meio de fixação do real para tornar-se um modo de experiência. Percepção, pensamento e sensibilidade não aparecem como instâncias separadas, mas como forças que se atravessam continuamente no ato de ver. O enquadramento não organiza apenas o espaço, mas também o tempo interno da imagem. Cada fotografia parece conter uma duração própria, um ritmo que não coincide com o da circulação acelerada das imagens contemporâneas.

Do ponto de vista crítico, a força do trabalho de Lima Zibanu reside nessa recusa do espetáculo e na escolha consciente da permanência como valor. Trata-se de uma obra que exige maturidade tanto de quem produz quanto de quem observa. O risco inerente a essa postura é o da excessiva contenção, de uma economia formal que pode, em determinados momentos, aproximar-se do hermetismo. O desafio contínuo do artista é manter o campo aberto, permitindo que o silêncio não se transforme em fechamento, mas em tensão produtiva.

Em síntese, Lima Zibanu constrói uma fotografia que não busca explicar o mundo, mas habitá-lo. Sua obra não responde às urgências do visível contemporâneo; ela as suspende. Ao fazer do tempo, da repetição e da introspecção os eixos centrais do seu processo, o artista afirma uma posição ética e estética clara: a imagem como espaço de permanência, onde ver é também pensar, e pensar é, inevitavelmente, sentir.

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Date
  • February 9, 2026
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